Física da música no Huambo


Local: Huambo, Angola

Datas: 20 de Julho a 2 de Agosto de 2010

Responsável pelo Projecto: André Almeida 

 

Objectivos: Ensinar conceitos básicos de física (tais como os fenómenos oscilatórios e a propagação de ondas) de uma forma prática e lúdica, concretamente através da construção de instrumentos musicais simples de forma a demonstrar de forma simples e intuitiva alguns princípios básicos do som que determinam o funcionamento da maioria dos instrumentos de música.

Descrição do Projecto

A actividade realizou-se na ONG Okutiuka, que acolhe e aloja 60 crianças e jovens entre os 8 e 18 anos que ficaram órfãs ou com problemas familiares devido à guerra civil angolana (1975-2002), particularmente dura na região do Huambo.

Os dias 20 e 21 de Julho foram utilizados para a tomada de contacto com as crianças que tomariam parte nos ateliers e para a compra e organização do material a utilizar. A actividade com as crianças começou no dia 22 e realizou-se nos dias seguintes até 3 de Agosto.

As actividades organizaram-se em dois períodos diários de 1 a 2 horas consoante as actividades, sendo por vezes mais extensas para alguns dos participantes durante a concepção de certos instrumentos. Em geral foram organizados dois ateliers por dia, de manhã e à tarde de modo a abarcar tanto os grupos com período de aulas de manhã  como os da tarde. De modo geral, tiveram lugar no refeitório da associação de modo a aproveitar os lugares sentados e as mesas como superfície de trabalho. Ocasionalmente utilizou-se o espaço polivalente ou o pátio exterior, em particular para a organização do conjunto musical.  Durante cada atelier contei com a ajuda de um dos dois estagiários do curso de professor, e ainda da coordenadora das actividades extra-curriculares para reunir os participantes.

As duas primeiras sessões serviram para introduzir, através de experiências simples os conceitos básicos da física do som, como a natureza vibratória do som (utilizando um balão para sentir a vibração causada pela voz) ou a relação entre a frequência da vibração e a altura do som (utilizando uma régua que é posta a vibrar) ou ainda a propagação do som no ar (demonstração com uma mola “ondamania”).

 

 

 

 

 

 

 

 

    Instrumentos produzidos pelos alunos: 1) Flauta transversal 2) Oboé 

    3) Maraca 4) Tam-tam 5) Guitarra 6) Flauta de pan.

 

 

As restantes 9 sessões consistiram na fabricação de diversos instrumentos rudimentares. Em geral foi atribuído um projecto de instrumento a um grupo de 2 ou 3 crianças que o foram desenvolvendo ao longo dos ateliers. Obviamente, mais do que obter instrumentos de grande qualidade, o objectivo foi o de fabricar objectos que produzissem som e aperceber-se das dificuldades em obter um bom som e afinação e sugerir e tentar ideias para os melhorar. Os grupos de alunos mais velhos (>12) construíram os seguintes instrumentos:

•Oboés de palhas de beber e cartolinas enroladas em cone

•Flautas de pan cortadas em tubos de PVC

•Flautas de pastor cortadas e furadas em tubos PVC  

•Flautas “Ney” cortadas e furadas em tubos PVC

•Didjeridoos em tubos largos de PVC

•Harpas em contraplacado, cordas de nylon e cabaças

 

Devido à dificuldade de execução de alguns destes instrumentos e à escassez de ferramentas, os mais jovens trabalharam sobretudo projectos de percussão, em particular:

•Maracas com latas e areia

•Tamborins em tubos de PVC e membranas de plástico

Em complemento às sessões de construção de instrumento, organizaram-se algumas demonstrações e discussões sobre as relações entre as dimensões e propriedades dos materiais utilizados e o som produzido pelo instrumento. Assim tentou-se explicar por exemplo a relação entre o comprimento de um tubo ou a posição de um furo numa flauta e a altura da nota que produz, ou entre a tensão e comprimento de uma corda e a altura da nota, ou ainda do papel de uma caixa de ressonância (cabaça) na intensidade do som produzida por um instrumento de corda. 

Organizaram-se ainda algumas sessões de música de conjunto onde os jovens utilizaram os instrumentos que eles mesmos fabricaram, instrumentos verdadeiros ou objectos da vida quotidiana como baldes e bacias, essencialmente para tocar uma base rítmica e utilizar os instrumentos melódicos improvisando sobre essa base. Foram ainda feitas algumas tentativas de adaptar os ritmos e instrumentos aos interesses particulares dos participantes pelos estilos do Kuduro e Kizomba.

Realizaram-se alguns encontros com músicos e fabricantes locais para tentar organizar uma actividade em conjunto com os jovens. Por falta de disponibilidade comum não chegou a ser possível organizar um trabalho em conjunto, embora as discussões tenham trazido ideias importantes para os ateliers.

 

Público Alvo: Crianças órfãs ou com problemas familiares acolhidas pela ONG Okutiuka
Equipa: A equipa de formadores foi composta pelo André Almeida e os formadores da Okutiuka.

 

Dificuldades, Conclusões e Perspectivas
As principais dificuldades encontradas resultaram da heterogeneidade de idades, conhecimentos e interesses das crianças. Os quatro ateliers temáticos planificados foram assim substituídos por actividades mais extensas nas quais os alunos desenvolveram instrumentos adaptados às suas capacidades e interesses, acompanhado da discussão científica.
Devido à escassez de ferramentas e de pessoal foram organizados grupos de menos de 10 jovens facilitando a gestão das actividades e material.
A reacção dos participantes foi muito positiva, e os objectivos foram atingidos. Em particular conseguiu-se melhorar a compreensão do fenómeno sonoro e das causas físicas das propriedades do som e das suas consequências musicais. Trata-se de uma experiência a repetir, embora uma reflexão sobre o ajustamento entre as actividades e o público-alvo seja desejável.

 

           

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