Fornos Solares em Timor Leste

forno timor

Local: Díli, Timor

Datas: Agosto 2008

Responsável pelo Projecto: Yasser Omar


Objectivos:

1. Demonstrar o potencial do forno solar como método para cozinhar alternativo aos fornos a lenha/carvão;

2. Ensinar a cozinhar usando um forno solar e as respectivas implicações para a segurança alimentar (estabelecer critérios práticos);

3. Identificar líderes/estabelecer parceiros locais interessados em disseminar os fornos solares;

4. Estabelecer programa de acompanhamento a médio prazo (1 ano);

5. Sensibilizar professores e alunos para a utilização da energia solar: aulas e concursos (Astro 2009, etc.);

6. Identificar as possibilidades/necessidades locais para construção de fornos solares no futuro.


Descrição da Realização do Projecto:

No sentido de atingir os objectivos acima mencionados, desenvolveram-se acções de formação junto da população local, que é o alvo primário do projecto em estreita colaboração com o Centro Juvenil Padre António Vieira (CJPAV).
Nos primeiros três dias de formação, os dois módulos (um teórico e um prático) foram leccionados nas instalações do próprio Centro Juvenil procedendo-se à realização de uma demonstração com os dois fornos trazidos de Portugal após a formação, e cujos resultados foram sempre dentro do esperado.

Os grupos que assistiram à acção de formação e praticaram a cozinha com o forno foram constituídos por cerca de vinte pessoas em cada uma, sendo que o terceiro dia contou com a participação de um chefe de Suku.

Devido ao grande entusiasmo demonstrado pelos participantes, e correspondendo aos pedidos dos mesmos, construiu-se também no local uma réplica funcional dos fornos do tipo caixa fabricados em Portugal, utilizando apenas materiais disponíveis localmente.

Nos dois dias seguintes, as acções de formação foram realizadas no ISMAIK, em Tibar, um centro de acolhimento para doentes e suas famílias. No primeiro dia, os cerca de vinte participantes tiveram um primeiro encontro com a realidade da cozinha solar, tendo-se cozinhado arroz, mesmo apesar das condições climatéricas serem bastante reservadas. No segundo dia de trabalhos no ISMAIK, o entusiasmo dos participantes era bem visível – quando a equipa de formação chegou às instalações do centro de acolhimento, o forno já se encontrava na rua, a pre-aquecer.

Por sugestão local, foi estabelecido contacto com os formadores do Centro Nacional de Emprego e Formação Profissional (CNEFP), aos quais foi dada uma formação mais vocacionada para a construção de fornos. Foi também feita uma sessão mais informal de perguntas e respostas na qual se explicaram as maiores dificuldades que surgiram aquando da realização do forno.

Após o fim-de-semana, retomou-se a formação, no dia 11 em Balide, dirigida à população desse Bairro. Estabeleceu-se também contacto com a IOM (Organização Internacional de Migrações). Mais uma vez, as condições climatéricas foram consideravelmente más, porém o desempenho dos fornos não deixou margem para dúvidas. No dia seguinte, no CJPAV, foi realizada uma acção de formação e sessão de esclarecimento com alunos de várias idades e graus de aprendizagem.

No último dia houve ainda tempo para uma reunião com o Secretário de Estado do Meio Ambiente, a quem foram apresentados os objectivos do projecto e principais benefícios ambientais da utilização dos fornos solares e que agradeceu a presença e o trabalho desenvolvidos nos últimos dias.

Equipa:

A Equipa foi constituída pelo Eng. João Cardoso e Diogo Capelo, aluno do Mestrado Integrado em Engenharia Física Tecnológica, do Instituto Superior Técnico, bem como pela consultoria em segurança alimentar.

 

Conclusões:

Após sete dias de formação, foi possível constatar o entusiasmo por parte dos formandos, fruto da previsão de utilidade dos fornos, e do impacto que os mesmos podem ter. Há no entanto factores que suscitam alguma reserva quanto à disseminação generalizada da cozinha solar.

Em primeiro lugar, é necessário considerar que durante cerca de três meses, na época das monções, o céu está quase sempre coberto por nuvens e chuvas frequentes impossibilitam a utilização dos fornos. Mesmo fora destes períodos, durante a época seca não existem garantias de ter céu limpo. Também de apontar que a maioria da população timorense reside fora de cidades, em áreas resguardadas (montanhas) onde o acesso à luz do sol é mais difícil.

Outras limitações surgem ao nível cultural: as famílias timorenses são muito numerosas, com uma média de oito filhos, e muitas vezes vivem em agregados familiares grandes. Assim, os fornos de pequeno porte, ou em pequeno número, não servirão para satisfazer as necessidades quotidianas no que respeita à alimentação.
Ainda, os hábitos alimentares, que incluem três refeições, uma delas muito pouco tempo após o nascer do Sol, e duas outras em que, para além do arroz, se comem vegetais salteados de difícil preparação no forno solar.
A tradição de receber visitas servindo-lhes sempre também uma bebida (chá ou café) também não se coaduna com o tempo de preparação destas recorrendo apenas à energia solar, tornando o forno mais uma ferramenta complementar do que um substituto viável dos métodos tradicionais.

No entanto, há várias alternativas que o tempo em Timor provou serem boas apostas para futuras fases do projecto: o desenvolvimento de tanques para aquecimento e purificação de água e a substituição das fogueiras abertas por fornos a lenha de alto rendimento são duas metas muito realistas, muito próximas das necessidades imediatas da população e que suscitaram bastante interesse por parte das entidades locais, quer a nível institucional, quer ao nível pessoal.

Outra área de acção de grande relevância é ao nível da conservação dos alimentos, dado que neste momento os métodos que existem são muito primitivos ou excessivamente dispendiosos para a grande generalidade da população, podendo ser uma óptima adição a este projecto qualquer experiência proveniente do desenvolvimento da Arca Frigorífica Solar, um outro projecto para a SiW.

Por último, há que referir que dada a cultura local, a importância destas iniciativas e o impacto que têm e poderão vir a ter, é da nossa forte opinião que qualquer futura fase deste projecto deverá prolongar-se por mais tempo por forma a possibilitar um acompanhamento diário e completo da evolução da integração das novas tecnologias juntos dos utilizadores primários. Ainda é de prever um período de adaptação mediado em que o conhecimento e a técnica são transmitidos de forma mais natural e gradual a quem será depois o principal parceiro no terreno em regime permanente. Recomenda-se portanto um período de permanência de pelo menos um mês.

Finalmente, é necessário reconhecer toda a ajuda local prestada, que actuou para lá do interesse próprio e foi em diversas ocasiões instrumental na transmissão dos conhecimentos pretendidos.


Financiamento:
O projecto foi financiado pelo Centro Juvenil Padre António Vieira (Díli), enquanto que a SiW ofereceu um dos dois fornos solares deixados em Timor.


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A SiW agradece o patrocínio de:

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